Em um ensaio marcante e único, Christina é a nova cara da Revista Paper do mês de Abril. Ora a cantora aparece sem maquiagem em um clima clean, ora aparece de uma forma desconstruída em fotos com a maquiagem borrada. Nós traduzimos a matéria completa da revista e você pode conferir aqui:

Christina Aguilera está de volta com uma nova transformação.

Christina Aguilera viveu de muitas maneiras – em sua carreira, em sua vida pessoal e é claro, em sua beleza estética. Seu visual passou de calças cowboy abertas (Dirrty) e cabelo com tranças de duas cores para um visual retrô inspirado na antiga e glamorosa Hollywood para os atuais decotões, cabelos lisos para trás e maquiagem minimalista.

Será que essa mudança para um look mais simples significa que ela se cansou dos exageros?

“Eu sempre fui alguém que obviamente ama novos experimentos, ama ser teatral, ama criar uma história e interpretar um personagem, seja em um vídeo ou nos palcos”, ela explica enquanto seu maquiador tira o glitter de suas pálpebras. “Eu sou uma performer, é assim que eu sou naturalmente. Porém eu estou em uma fase, até mesmo na música, onde é libertador poder desconstruir tudo e apreciar quem você é e apreciar a sua beleza natural”.

Enquanto diz isso, ela está sem maquiagem, suas sardas em destaque, seus olhos azuis brilhando sem um único traço de maquiagem nos olhos – mas não pense que ela está aguardando para maquiar os olhos. “Quero dizer, eu sou uma garota que ama maquiagens pesadas, não vamos complicar”.

Essa autoconfiança e tranquilidade é algo que uma garota como ela, com 37 anos, acredita que vem com a idade. Em mais de 20 anos que se passaram, desde que a vimos pela primeira vez dançando em uma praia no vídeo de “Genie in a Bottle”, ela foi indicada para o Grammy 18 vezes, ganhou 6 vezes, vendeu mais de 50 milhões de discos em todo o mundo, estrelou em um filme ao lado de Cher, participou como jurada no The Voice, passou por um divórcio, encontrou um novo amor com o noivo Matt Rutler e se tornou uma mãe de Max Liron, que tem 10 anos, e Summer Rain, que hoje está com 3 anos.

Ao longo de todas essas experiências significativas em sua vida, Aguilera permaneceu descaradamente abusada. Em janeiro, quando seus fãs impacientes perguntam sobre um novo álbum (que seria seu primeiro desde o Lotus de 2012) através de um post engraçado, com uma foto em sua estrela da calçada da fama, ela postou uma resposta engraçada no story do seu Instagram (“Está a caminho, bitches!”). Enquanto seus olhos estavam sendo maquiados de rosa claro para nosso ensaio, ela compartilhou um acontecimento pessoal sobre uma das várias perucas que seu cabeleireiro trouxe com ele no set: uma mecha de cabelo loiro, despenteado e sujo. Aparentemente, Christina se apropriou da peruca… para o quarto. “Você mandou muito bem, você levou na esportiva”, ela disse à ele enquanto toda a sala caiu na risada. “Eu acho que estava querendo ir para casa e fazer sexo naquela noite, e você estava tipo: “Ok, não acabe com a peruca”, e eu disse “não te garanto nada, obrigada”.

Nascida em Staten Island, Nova Ioque, em 18 de dezembro de 1980, filha de Fausto e Shelly Loraine, Aguilera teve uma infância longe de ser perfeita. Ela testemunhou abusos domésticos, tanto em sua família quanto em torno de sua vizinhança, algo que ela sempre discutiu abertamente em sua carreira. “Eu assisti minha mãe ter que ser submissa, ter que ser detalhista e minuciosa ou ela seria espancada”, lembra ela. “Uma das duas coisas que podem acontecer se você crescer nesse tipo de ambiente”, ela diz. “Você pode ser, infelizmente, tão prejudicada por isso que te faz piorar, ou pode se empoderar e fortalecer com isso e fazer escolhas para nunca seguir por este caminho.” Aguilera decidiu, logo bem nova, que nunca se permitiria estar em uma posição onde tivesse que depender de qualquer pessoa para ser feliz. Ao mesmo tempo, isso ensinou ela a ter compaixão por pessoas que não são capazes de sair de situações semelhantes com tanta facilidade. “Eu odeio quando as pessoas dizem: ‘Porque ela simplesmente não foi embora?’ Há danos psicológicos e abusos mentais em uma situação como essa que muitas pessoas não têm a capacidade de verbalizar a situação ou descobrir uma maneira de como sair dessa”.

Essa força e compaixão também faz com que Aguilera fosse uma grande aliada da comunidade LGBTQ. Em 2003, Aguilera recebeu um prêmio do GLAAD Media Award pela representatividade positiva de gays e transexuais no vídeo de “Beautiful”. Ela continuou seu apoio através de vídeos como “Let There Be Love” de 2012, e em 2016 dedicou a música “Change” às vítimas do massacre na boate Pulse e doou recursos para suas famílias através do National Compassion Fund. Quando perguntada sobre a importância em falar pela comunidade LGBT, ela responde: “Essas são pessoas com quem eu cresci e que são brilhantes, talentosas, fortes e que merecem que suas vozes sejam ouvidas e defendidas, também.”

Estrelas pop são notadas por passarem por transformações, mas a fome de Aguilera por experimentações, tanto em sua música quanto em seu estilo, é parte de seu estilo único. Ela diz que todos os seus álbuns permitiram que ela se aventurasse em uma direção diferente e explorasse um lado diferente de si mesma. Teve o lançamento de seu disco de estreia auto-intitulado, Christina se tornou uma das primeiras princesas do pop da era 2000 ao lado da ex-coestrela do Clube do Mickey Mouse, Britney Spears. O álbum foi, de acordo com Aguilera, exatamente “A perspectiva da mente de uma velha gravadora administrada por um homem”. Suas roupas eram típicas da época: blusinhas com o umbigo à mostra, calças boca-de-sino e lábios brilhantes com gloss. A colaboração em “Lady Marmalade”, de 2001, com Pink, Mya e Lil’ Kim, permitiu que Aguilera experimentasse o seu alcance vocal, e ela começou a experimentar um visual mais ousado (tranças coloridas, roupas mais reveladoras). De lá, ela lançou o Stripped em 2002 e o single “Dirrty”, que Aguilera chama de “game-changer” (virada-de-jogo). Ela explorou um estilo de moda de cabelo com duas cores, top de biquíni e aquelas icônicas calças de couro de cowboy aberta. Os críticos mais respeitosos, consideraram o novo visual “sexualmente provocativo e controverso”, e os críticos mais agressivos a chamavam de “a mulher mais repugnante do mundo” (uma descrição que apareceu em um artigo de 2002 da revista Entertainment Weekly). Em 2006 ela lançou o álbum Back to Basics, que tinha Aguilera cantando músicas antigas, inspirada nos anos 40, usando um visual inspirado no estilo pinup e, o que se tornaria sua marca registrada, o batom vermelho. Com Bionic influenciado pela música eletrônica de 2010, Aguilera parecia se casar com os dois estilos: moderno e retro. Por exemplo: no MTV Movie Awards daquele mesmo ano, ela usou um penteado “Victory Roll” estilo retro dos anos 40, com batom vermelho e um vestido da Versace, com vários cintos e alças que pareciam grandes correntes de metal.

“[Novos artistas] não têm tanta repercussão negativa quando entram em cena. E eu tive. Foi um momento controverso para mim.”

“Eu não posso ficar estagnada em um lugar por muito tempo, e é por isso que eu acho que a forma em que eu estava na televisão se tornou muito sufocante”, diz ela, se referindo ao período de seis temporadas no The Voice. “Eu preciso de movimento, preciso sair para explorar, ser artista, criar e transformar”.

Em 2017, Aguilera interpretou a personagem de Akiko Glitter no filme Emoji, mas ela não estrelava em um filme desde o Burlesque, em 2010. Este ano ela aparecerá em dois filmes, interpretando um robô no filme de ficção científica de Drake Doremus, Zoe, e aparecendo como ela mesma na comédia de Melissa McCarthy, Life of the Party (A vida das Festas). Qualquer um que tenha acompanhado a carreira de Aguilera, sabe de sua capacidade humorística de anos. (Lembram-se de seu papel icônico como Samantha, de Sex and the City, no SNL?) Aguilera não se importa de fazer mais papéis assim. “Meu maior desejo é fazer algo com Will Ferrell. Algo muito hilário, apenas rindo e sendo a mais engraçada”. Mais tarde, quando ela coloca a peruca mencionada anteriormente, Aguilera exageradamente passa os dedos pelo cabelo (também conhecido como “ela”) e faz um som semelhante ao início de um aquecimento vocal da Cher. Da nota mais discreta até a mais impactante.

Aguilera é uma verdadeira sagitariana: curiosa, ansiosa para aprender e um pouco inquieta. Ela gosta de se entregar a simples atos confortantes, especialmente quando precisa de uma sessão de autocuidado. Ela gosta de yoga, massagens (ela adora desabafar nas sessões) e relaxar em casa de moletons. “Eu amo sair com apenas minhas amigas e amigos íntimos, que por acaso são meus amigos gays”, diz ela. “Apenas bons momentos de qualidade com pessoas que são abençoadas.” Descrevendo-se como “old school”, ela diz que sempre mantém um DVD player de emergência e DVDs com ela, caso algo “dê errado com a tecnologia”. Quando viaja, ela gosta de assistir os DVDs quando vai dormir. Seus preferidos são os filmes “inspiradores e divertido”, ela conta. Filmes como Frida, What Ever Happened to Baby Jane?, Amadeus, Elizabeth e Basquiat.

Com música, ela anda inspirada por muitos hip-hop atuais, particularmente o que artistas de gênero estão fazendo com o som e o visual. Ela nomeou Childish Gambino (“Ele é um gênio”), Chance o Rapper (“Ele se lançou sem uma gravadora, sendo tão carismático ao mesmo tempo”) e Cardi B (“Ela faz as pessoas enlouquecerem apenas por ser ela mesma, ela é genuína”) são alguns dos artistas que ela está mais impressionada.

Para alguns de nós, pode ser difícil de pontuar quando exatamente nós terminamos de esmagar a insegurança e finalmente nos tornamos seguros ao nível de Cardi-B, sendo nós mesmos. Isso pode ser o final de um relacionamento, ou o descobrimento de um novo hobby ou uma carreira, ou até mesmo um momento de silêncio, e normal quando a lâmpada se apaga, significando um sentimento de “estou bem”. Para Aguilera, era sempre quando ela estava se apresentando nos palcos. “Eu acho que nós passamos por altos e baixos. Existem momentos em que eu estou me sentindo bem, que era quando estava no palco, apta a mostrar, liberar e sentir. Essa foi a minha maneira de sentir-se empoderada.” Mas na juventude, esses sentimentos nunca realmente apareceram fora dos palcos.

Quando Aguilera lançou Stripped em 2002, foi um tempo destemido pra ela. Ela realizou a mudança de seu álbum de lançamento, no qual ela era “criativamente infeliz naquela época”, para finalmente ser capaz de cantar canções onde ela se sentia verdadeira consigo mesma, ao mesmo tempo em que se divertia com figurinos provocativos e ousados. O álbum permitiu que ela pudesse expressar a sua sexualidade e feminilidade, também abordou muita insegurança e vulnerabilidade. “Você ouviu em Beautiful e na canção chamada I’m Ok”, conta. “Isso foi tipo, eu estou sendo honesta? Obviamente eu nunca estou totalmente bem. É uma jornada onde minhas feridas serão curadas.” Aguilera sempre entra em contato com a sua dor, que ela descreve ser igual a “uma memória muscular” para ajudá-la a explorar o seu lado artístico.

Uma das coisas mais admiráveis e relacionáveis sobre Aguilera, é sua capacidade de refletir sobre suas experiências dolorosas e saber o que realmente importa na vida. Como se certificar de sempre estar rodeada de pessoas boas. É meio clichê, mas uma sabedoria verdadeira e pacífica, que só pode vir de alguém na casa dos trinta – depois da loucura de quando se tem 20; depois do rito cósmico em se passar pelo retorno de Saturno. Em seus 30 anos, você já descobriu principalmente quem são seus amigos que ficarão ao seu lado, não importa o que aconteça, e acabar deixando de lado aqueles que não são verdadeiros amigos. Isso foi importante para Aguilera. “Você tem que se conectar com as pessoas certas que trazem boas energias em sua vida. E ter a capacidade de deixar ir muitas coisas que te machucaram. É algo muito gratificante”.

(…)

Aguilera está animada com o que está acontecendo com novos artistas no mundo do entretenimento, por que isso está cada vez mais evidente. “Eles não têm tanta reação negativa quando entram em cena. Eu tive. Foi um período muito interessante e controverso para mim.” Ela aponta o fato de hoje em dia ser mais fácil e bem aceito para um artista se arriscar e também ser sexual, mais do que era naquela época. “Ou as mulheres não são sexuais o bastante ou não estamos realizando uma fantasia o suficiente, mas se somos abertamente sexuais, ou nos sentimos empoderadas de um certo modo, ou então somos envergonhadas por agir assim.” Ela está orgulhosa de si mesma pela era “Dirrty”, mesmo com as duras críticas que recebeu. “Madonna teve que passar por isso em sua época, e ela abriu o caminho para a minha geração. E pensando no futuro, hoje em dia uma geração mais jovem está chegando e eu estou amando o que estou presenciando. É tão incrível.”

Ela diz que se aventurar na moda também é mais aceitável, e é verdade. Com as celebridades sendo capazes de se vestir por um estilista e ter as imagens rapidamente postadas ao público, é mais fácil experimentar e obter elogios ou desaprovações imediatas. Aguilera diz que antigamente uma artista brincava com seu visual de um vídeo para outro, ou de um álbum para outro álbum. “Foi um movimento mais lento, e hoje em dia é, um visual diferente a cada tapete vermelho. É muito interessante como isso acontece.” Ela dá um conselho: “Seja destemido em quebrar novas fronteiras e não tenha medo de ir contra as críticas ao longo do caminho.” Isso pode ser útil para qualquer um, seja um artista ou não.

É o mesmo tipo de conselho que ela dirá à filha quando tiver idade suficiente para entender. “Eu não quero injetar precocemente muita coisa dentro dela, como eu estou escolhendo viver a minha vida e o que eu fiz na minha carreira”, diz ela. “Só espero poder permitir que, o que estou fazendo, a influencie para que ela seja o que escolher ser. Isso é o que eu espero para ela, de verdade.” (Ela também deixará a filha pintar o cabelo de uma cor louca se ela quiser.) “Eu realmente quero ter certeza de que meus filhos estão muito confiantes no sentido de que eles sabem quem são e que não serão facilmente influenciados por uma opinião alheia”.

Tal como acontece com muitos pais hoje em dia, há o assunto das influências das mídias sociais. Aguilera reconhece que é uma espada de dois gumes. “Sempre haverá o bem e o mal, o escuro e a luz. Acho que agora é a hora, mais do que nunca, de vermos isso em todos os sentidos da palavra.” Ela acha que as indústrias de moda e beleza também estão progredindo na direção certa, no que diz respeito a padrões mais abrangentes de beleza e imagem corporal, o que estamos vendo nas redes sociais. “Sempre haverá aqueles trolls por aí ou pessoas que têm sua própria definição e ideais de beleza, mas acho que estamos progredindo para um lugar de resistência e de mais pessoas se revelando.” E se você não está envolvido com a luta pela inclusão e diversidade, Aguilera não tem tempo para você.

“É como o meu Instagram diz agora”, ela proclama, referindo-se ao seu avatar em que ela está vestindo calças de veludo, óculos escuros e um casaco de pele sobre uma camiseta que carregar o slogan: “Todos que não puderem embarcar nesse trem, chupem nossos paus.”

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