Parte 1

Parte 1Biografia

Seja bem-vindo ao nosso cantinho. Aqui contamos a história da vida da cantora note-americana Christina Maria Aguilera. Você irá conhecer mais sobre a sua infância, adolescência, vida adulta e muitas outras informações sobre sua família e também carreira. Essa é a primeira de muitas partes que você pode conferir por aqui. Volte sempre para verificar se um novo conteúdo foi adicionado, pois essa seção será atualizada constantemente, conforme nossa programação divulgada na seção "Blog da Equipe". Convidamos a dar o play na nossa playlist do Spotify feita especialmente para acompanhar sua leitura. Uma boa leitura!

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Biografia: A pequena garota com a grande voz!

A história de vida da Christina Aguilera começa muito antes do seu próprio nascimento. Aguilera foi o tipo de pessoa que nasceu com um dom e sempre esteve destinada a ser uma cantora poderosa. Seu talento com a voz era nítido. Já cantava quando ainda usava fraldas. Seus instintos naturais reagiam a tudo que fosse musical. Foi influenciada com música desde muito cedo. A harmonia musical estava gravada em seu DNA.

Para conhecermos suas principais influências e suas verdadeiras origens, precisamos viajar no tempo. Retrocederemos para contar, primeiramente, a história da família Fidler, raízes maternas da cantora. Conhecer a história de vida da sua mãe e sua avó. A ancestralidade praticamente preparou o seu destino estrelado.

Venha conosco viajar para os anos 60 e conhecer a história de Christina Aguilera, antes mesmo dela chegar a esse mundo…

Capítulo 01 – Gênesis

Shelly Fidler Kearns era apenas mais uma garota, filha de Lowell M. Fidler e Delcie M. Fidler, nascida no dia 23 de Março de 1960, nos Estados Unidos. Suas raízes são metade irlandesa e metade alemã. O avô de Shelly mal sabia falar inglês durante sua vida, foi tentar uma nova chance nos Estados Unidos da América e acabou firmando residência no país. Ela então foi criada a maior parte da sua vida pela mãe, pois seu pai veio a falecer ainda quando era uma criança, e sua mãe jamais chegou a casar-se de novo. Cresceu e viveu muitos anos na mesma casa, rodeada da família e ainda cultivando a cultura irlandesa. O ambiente era tipicamente irlandês.

“Crescer em um ambiente predominantemente irlandês, facilitou a minha apreciação dos costumes irlandeses e as tradições familiares.’, diz Shelly.

Ela, que viria a se tornar a mãe da Christina Aguilera, tinha uma grande paixão pela música desde muito nova, influenciados por sua mãe. Delcie, avó materna de Christina, veio da Irlanda para os Estados Unidos após se casar. Ainda quando Shelly era novinha, sua mãe costumava passar exercícios de piano para ela fazer. Gostava tanto de aprender com a mãe que o seu talento foi crescendo com o passar do tempo. Adorava sentar no piano, colocar seus dedos sob as teclas e dedicava-se a aprender sobre música, instintivamente. Era musicista autodidata. Amava tocar instrumentos, sobretudo, o violino e o piano. Chegou até a ter o seu momento de fama. Encorajada pela mãe, aos 16 anos de idade, quando viajou em turnê para a Europa tocando com a Orquestra Sinfônica Yough, que era feita só para os adolescentes. Talvez aqui esteja a verdadeira razão principal que influenciou musicalmente o talento de Christina Aguilera, anos mais tarde.

A linhagem de uma mulher forte e confiante, como da família Fidler, começou com Delcie Fidler, logo quando seu marido morreu e sua filha tinha apenas 12 anos de idade. E assim ela resolveu levar a vida, cuidando sozinha da sua casa e da única filha. Essa confiança, empoderada pela força feminina, influenciou na criação e formação da personalidade de Shelly e, década mais tarde, também de Christina. Shelly aprendeu desde nova que mulheres podem ser fortes e autossuficientes.

Devido aos estudos de idiomas nos tempos de colégio, sabia falar Espanhol fluentemente e decidiu entrar para a faculdade de tradução em espanhol. Sua paixão pelo idioma era grande. Momentos mais tarde, começou a trabalhar de tradutora. Sentia-se realizada em poder estudar e trabalhar com o que realmente gostava.

Shelly passou a frequentar a Universidade Mórmon de Brigham Young, em Provo, Utah, nos Estados Unidos. E durante sua passagem, acabou se esbarrando com um latino, chamado Fausto Aguilera, bem no final da década de 70, em 1979. O sangue do jovem rapaz latino a encantou, assim como toda cultura latina a encantava.

Fausto Wagner Xavier Aguilera nasceu em Guaiaquil, no Equador, e foi para os Estados Unidos ainda jovem, fugindo de um triste futuro de pobreza que o seu país estava passando. Abandonou seus pais, um irmão e uma irmã, quando tinha apenas 19 anos e se alistou no exército americano, pois era o único meio de se sustentar, já que não podia ingressar na faculdade. Se tornou sargento das Força Área Americana em Stepehensville. Em uma das suas mudanças, acabou morando em Newfoundland. Conheceu Shelly e passou a viajar para Utah, onde frequentava a faculdade mórmon de Brigham Young.

Shelly e Fausto - Convite de Casametno
Raridade: Foto de Shelly e Fausto. Parte do convite de casamento, datado de Março de 1980.

Passaram a se conhecer melhor e começaram a namorar. Shelly se encantava pelo universo latino e gostava de praticar seus conhecimentos em espanhol com o novo namorado. Faziam juras de amor em espanhol e ouviam muita música latina. Shelly não era católica, porém, com a frequência na universidade mórmon e com a educação católica de Fausto, se converteu ao catolicismo.

Certo dia, Fausto foi informado que seu próximo destino seria mudar-se em breve para a ilha Staten Island, em Nova Iorque. Foi quando Shelly descobriu que estava grávida. E agora? A iminência de Fausto partindo pra Nova Iorque e a sua gravidez fizeram com que eles optassem por se casar o quanto antes. A cerimônia aconteceu na mesma igreja mórmon que Fausto frequentava, no dia 06 de Março de 1980. Logo em seguida, ambos se mudaram para Nova Iorque, sozinhos. Shelly deixou a casa da mãe e estava pronta para começar a sua nova vida de casada, ao lado de Fausto. Mal podia se conter de felicidade. Porém algo começou a ficar estranho dentro de casa.

“Fausto mudou seu comportamento a partir do momento que disse ‘sim’ na igreja. Eu me senti mais como uma propriedade sua do que como sua esposa. Eu não soube lidar com isso” – Desabafou Shelly, anos mais tarde em um documentário que foi ao ar em 2003.

No dia 18 de Dezembro de 1980, Shelly deu entrada na maternidade universitária de Staten Island. Era um dia comum de inverno, o vento gelado batia nas janelas do hospital, que espelhava um céu claro, sem nuvens. No momento em que chegou ao mundo, Christina Maria Aguilera teve sua voz ecoada pelos corredores do hospital. Aos que estavam ali ouvindo aquele bebê recém-nascido chorar, não poderiam imaginar que essa voz seria conhecida pelo mundo todo, anos mais tarde.

Capítulo 02 – Christina Maria Aguilera

Raridade: Bracelete que Shelly e Christina usaram na maternidade do Hospital Universitário de Staten Island. Dia 18 de Dezembro de 1980.

C

hristina Maria Aguilera. Seu nome americanizado com ‘h’, originário do espanhol ‘Cristina‘ – sem o h – e o seu nome do meio, tipicamente hispânico e cristão, Maria, representa um compromisso entre duas cultuas que ela vivenciaria. No momento em que a primeira filha do casal chegou para complementar a família, Shelly tinha apenas 20 anos e Fausto, 32. Uma grande diferença de idade, cultura e de temperamentos, deu origem a pequena loirinha de olhos claros e rosto angelical.

O jovem casal estava esperançoso pelo futuro iluminado e próspero que teriam pela frente, com o nascimento da sua primeira filha. Ela tinha os cabelos loiros e olhos azuis, diferente dos pais que tinha cabelos pretos. Christina puxou a genética do irmão de Fausto, que se chamava Walter, no qual ela nunca chegou a conhecer, mas que era loiro e com o mesmo tom de azul claro, meio acinzentado, dos olhos. Logo após o nascimento, a família se mudou para Nova Jersey.

A pequena Christina já apresentava um grande interesse pela música antes mesmo de falar. Shelly conta que ela gritava se mudasse o canal de TV em que estivesse passando um programa musical. Quando sua mãe passava com o carrinho de bebê embaixo de algum auto falante que estava tocando algum tipo de música, ela rapidamente reagia levantando a cabeça e prestando atenção no que estava tocando. A pequena bebê Christina reagia fortemente a música desde as fraldas.

Antes de Christina completar um ano, seu pai contou para Shelly que havia sido transferido mais uma vez e isso foi um balde de água fria: “Já assinei os papéis“. Shelly trabalhava como professora, tradutora de espanhol e musicista, teve então que largar a faculdade e o trabalho para entrar de cabeça na vida militar que o marido levava.

Devido a esse fato, tiveram que se mudar de San Antonio, Texas, para o Japão, o que foi uma decisão muito difícil para Shelly tomar. Deixar sua vida, amigos e parentes para trás e se mudar para um mundo totalmente novo, onde era uma jovem mulher recém-casada e com uma filha pequena. Toda esta mudança começou a causar instabilidades em seu casamento.

No Japão, Fausto e a família viviam em comunidades, conhecidas como base militar, e moravam em casas geminadas cedidas pelo governo aos militares. Eles moraram em uma cidade chamada Sagamihara, onde Shelly passou a ensinar inglês para algumas crianças japonesas. Foi uma época difícil para Shelly e sua pequena filha. Christina naturalmente não tinha muitos amigos, pois não sabia falar a língua local e era de classe média baixa, então suas amigas acabaram sendo suas bonecas e ursinhos. Tal fato fez com que a relação mãe e filha ficassem com os laços mais fortes do que nunca.

Certa vez, quando tinha três anos de idade, passeando de ônibus com sua mãe, ela começou a cantar. Os passageiros se chocaram e comentaram com Shelly que “a voz dela era incomum e muito poderosa para uma menina tão pequeninha“. Cantava no banho. Gostava de ouvir sua voz ecoando pelo banheiro e as paredes chegavam a tremer. Anos mais tarde, Christina chegou a comentar que “A infância foi regada de performances jogando a toalha no chão e usando os frascos de shampoo como um ‘ikaphone'”, modo no qual ela falava microfone quando criança.

Em casa sempre teve muita música latina, especialmente Julio Iglesias“, lembra Christina. A forte influência cultural do pai e a paixão do espanhol pela mãe, fizeram com que Christina tivesse a facilidade de cantar em espanhol. Aliás, o idioma era muito comum dentro de casa. Christina cresceu ouvindo e falando o idioma naturalmente.

Shelly passou a notar que o marido estava cada vez mais agressivo. Devido a influência machista e rude imposta na vida militar, Fausto reagia a tudo com força e brutalidade. Embora esses fossem os primeiros anos da vida de Aguilera, certamente isso acabou criando um trauma permanente na sua psique como criança em desenvolvimento. Era chamada de “Pirralha do Exército”, que era um termo comum usado para os filhos dos militares que viviam se mudando entre uma base militar e outra. Não durava muitos meses e novamente uma mudança acontecia, fazendo com que a família ficasse abalada e completamente ausente das suas raízes. Junto com essa vida dentro do exército, também estava o conhecido estilo de vida rígido, autoritário e altamente disciplinado. Então Shelly tornou-se super protetora.

Estar longe, no Japão, distante da família e apenas com sua pequena filha, era devastador. Ela se sentia sozinha e imponente. Uma tinha apenas a outra, então elas aproveitavam que Fausto estava trabalhando e saíam pelas ruas do Japão para descobrir todo um novo mundo. Sempre que saíam e iam às lojas, as pessoas tocavam o cabelo loiro claro de Christina e diziam algo em japonês que era “Kawaii” e significava “que gracinha!”.

“Ela era o meu orgulho, a única alegria da minha vida, algo que ninguém poderia mudar”, conta Shelly sobre a época em que Christina era apenas um bebê.

Capítulo 03 – Problemas na infância

O casamento de Shelly com Fausto foi muito difícil e assustador. A mãe era infeliz e as brigas entre o casal tornou-se cada vez mais frequente e perigosas. Fausto passou a abusar fisicamente de Shelly, pegando pesado. Ela não tinha condições de escapar do dilema em que vivia. Era uma mulher sozinha no Japão, dependente do marido financeiramente e com uma filha pequena. Não era só pedir o divórcio e deixá-lo para trás, Shelly também não dispunha de muito dinheiro para pegar um avião e voltar para a casa nos Estados Unidos. Estar no japão, além de solitário, era torturador.

Christina no japão com 5 anos de idade
Christina posa ao lado de amigos que viviam juntamente com seus pais na base militar, no Japão. Christina tinha apenas 5 anos.

Tentando sobreviver ao casamento, Shelly teve que suportar todos os dias o fato do marido abusá-la e passou então a viver para a filha, que era o seu único raio de sol. Vivenciando todo essa situação, a pequena Christina passou a ter um grande apego pela música, usando-a para tentar escapar da realidade que vivia dentro de casa. Cantava sempre para suas bonecas e ursinhos e tentava abafar os gritos da briga dos pais com sua voz. Gritava alto e cantava sempre que podia.

O conflito entre eles se deu ao fato da combinação do sangue quente latino de Fausto comparado ao sangue frio e angelical de Shelly. Apesar de Shelly também ter uma personalidade forte e sua própria maneira de fazer as coisas, o conflito passou a ser constante. Talvez essa grande diferença de temperamento os fizesse se afastar cada vez mais daquele casal apaixonado que eram antes do casamento. Nos primeiros cinco anos de vida, Christina teve sua infância marcada por momentos turbulentos e com muita violência dentro de casa. A vida militar é muito ligada ao abuso familiar, provavelmente por causa da rigidez e autoritarismo. Qualquer coisa, incluindo o comportamento normal das esposas e da filha, era um catalisador para agir com violência.

Certa vez, quando Aguilera tinha 4 aninhos de idade, começou a brincar, fazendo muito barulho e acabou acordando Fausto, que estava cochilando na sala. Ele levantou, descontrolado, e começou a bater na filha. Usou tanto a sua força que deixou ela coberta de sangue. Ao ver sua filha ensaguentada, Shelly perguntou o que tinha acontecido e Christina disse: “Papai queria tirar uma soneca e eu estava fazendo muito barulho”. Esse foi o momento exato que Shelly sabia que ela tinha que colocar um fim na relação com seu marido.

Diante de tanto medo, Shelly chegou até a dormir com um spray de pimenta embaixo do travesseiro, para se defender do marido, caso fosse preciso. Não sabia mais quando seria o próximo ataque, pois eles começaram a ser constante. Sua integridade física e a da sua filha estavam em risco. Com o passar dos dias, Shelly se sentia cada vez mais insegura e vulnerável. Quando as discussões e gritos começavam, Christina corria para o seu quarto, trancava sua porta e começava a cantar bem alto, para tentar abafar os gritos. Tentava achar o seu refúgio na música. Era apenas uma jovem garotinha, longe do seu país e com um conflito diário dentro de casa.

Eu pensava: Em que posso melhorar? Qual a causa disto? Onde estou errando? – Conta Shelly sobre os momentos em que sofreu junto ao seu ex-marido no Japão.

Os dias foram se passando e de repente Shelly descobriu que estava grávida novamente. Shelly recebeu a notícia com alegria e amor, mas cada dia que passava ficava mais preocupada com a vida em que sua filha estava levando ao lado de um pai bruto e durão. Uma gravidez em um relacionamento abusivo era preocupante. Mas Christina estava empolgada, pois iria ganhar uma irmãzinha. Durante a gravidez, o exército americano transferiu Fausto do Japão de volta para a América. Christina tinha apenas 6 anos de idade e teria que voltar aos Estados Unidos. Desta vez eles foram morar em Fort Dix, em Nova Jersey. Shelly voltou grávida e no dia 6 de Junho de 1986, deu a luz da sua segunda filha. Decidiu chamá-la de Rachel.

Rachel e Christina na páscoa.
Rachel e Christina na páscoa. 1987.

Agora com uma nova irmã, Christina se sentia empolgada. Como irmã mais velha, gostava de ajudar a mamãe nos cuidados com Rachel. Neste tempo, Shelly e Fausto brigavam constantemente e os incidentes começaram a aumentar. Mãe e filhas viviam uma vida medrosa na companhia do pai. Christina, aos seis anos, perguntava à mãe todas as noites: “Mamãe, porque não podemos morar com a vovó? Eu quero morar com a vovó!”. Isso acabava com os sentimentos de Shelly. Ao ver sua vida sucumbindo à desgraça familiar, decidiu juntar dinheiro escondido e escolher um dia para fugir da vida abusiva que levava junto a Fausto.

Um pouco depois do aniversário de 6 anos da Christina, e logo após ter dado a luz de Rachel, em 1987, Shelly arquitetou toda a fuga com suas duas filhas. Juntou dinheiro e esperou pela ocasião perfeita para ir embora. Certo dia ela colocou as duas meninas dentro do carro, fez as malas com roupas e o que conseguiu carregar, deixando Fausto para trás. Era seu grito de liberdade. Estava cansada de ser abusada e apanhar do marido. Ver suas filhas sendo tratada com hostilidade, sofrendo ataques de violência do próprio pai. Entraram no carro e partiram para nunca mais voltar.

“Eu me lembro quando estávamos no carro indo embora escondidas para a casa da minha mãe. Rachel e Christina estavam no banco de trás do carro apreensivas e Christina ficava repetindo: ‘Mamãe, e se ele vier atrás da gente? E se ele ver o nosso carro? E se ele nos achar? ’, era de cortar o coração o desespero em que elas viviam” – se lembra Shelly.

Shelly dirigiu de Fort Dix até Rochester, na Pensilvânia e mudou-se para a casa da sua mãe, Delcie. Dias depois ela foi até a justiça e pediu o divórcio do seu casamento. Finalmente estava livre de Fausto. A partir de então, Christina e Rachel nunca mais tiveram contato com seu pai, que vivia numa base militar no Colorado.

Mais tarde, Christina chegou a confessar à Rude Perez, o homem que produziu o seu álbum em espanhol ‘Mi Reflejo’, que ela teve traumas pelos comportamentos do seu pai e acabou bloqueando parte do seu conhecimento em espanhol. Logo após a separação, Shelly restringiu tudo que era espanhol e remetia à imagem de Fausto. O espanhol virou uma restrição dentro de casa. Vida nova para Shelly e suas duas filhas.

Em 2002, Fausto chegou a publicar uma carta aberta se manifestando em relação as acusações de abuso familiar. Disse:

A minha relação com a mãe de Christina foi tensa e estava longe de ser perfeita. Mas o meu amor por Christina e pela sua irmã Rachel, nunca morrerá. Eu nunca abusei das meninas em momento algum do qual eu me lembre, e elas sabem disso. Shelly e eu nos desentendemos e discordamos de muitas coisas, e nós dois temos o gênio temperamental. É uma pena que lembramos das cosias de maneiras diferentes. Eu me desculpo por todas as vezes que levantei a mão para minha esposa, mas nunca foi nada brutal igual Ike e Tina Turner. – Fausto Aguilera, pai de Christina.

Capítulo 04 – Novos ares e a descoberta de um dom

Com um novo ambiente, a vida de Shelly e das suas duas filhas começou a mudar. Agora moravam com a avó Delcie Fidler e ela sempre fazia questão de ter música na casa. A vovó introduziu a pequena Christina ao mundo do Old Blues, Soul, Gospel, Jazz e R&B, passavam a tarde ouvindo cantores como Nina Simone, Etta James, B.B. King e outras fortes influências. Shelly tinha a trilha sonora de ‘A Noviça Rebelde’ e Christina adorava. Ouvia todos os dias e gostava de imitar a Julie Andrews. Corria, abria os braços e girava, imaginando ser a personagem Maria. A personagem ainda tinha o nome igual ao seu nome do meio. Tinha uma vida toda para ter sonhos e querer estar viva como as montanhas ao som da música.

“Quando eu descobri Julie Andrews e A Noviça Rebelde, eu imediatamente me apaixonei. Eu tenho a trilha sonora ainda em uma pequena fita cassete. Eu coloco ela no meu toca-fitas que tenho no quarto. E apenas, tipo, fecho as portas e abro as janelas e começo a cantar. Eu sei lá. É como se fosse uma libertação para mim, um crescimento, que joga fora toda energia ruim e tudo de mal que pode estar acontecendo, tensões e dores, era isso que eu vivia. Cantar era um tipo de libertação para mim. Realmente me deixava feliz. Eu queria só ficar cantando as músicas do filme, o dia inteiro”, relembra Christina.

Christina colocava a fita do filme A Noviça Rebelde para assistir e ficava vendo e revendo o dia inteiro. Shelly tinha que brigar para ela desligar a TV, enquanto sua avó ficava falando “Deixa a menina assistir e cantar“. Shelly sabia que sua filha amava cantar, mas foi a avó a primeira a perceber que a garotinha de seis anos possuía um verdadeiro dom.

”Quando eu visitava minha mãe (avó de Christina), ela dizia: ‘Abaixe o som Christina, queremos conversar!’ e Christina respondia: ‘O rádio não está ligado’… Era ela cantando…” – Contou seu tio Jim.

A avó chamou a atenção de Shelly para a cantoria de Christina. Shelly concentrava-se tanto em sobreviver ao casamento que não havia reparado no grande talento que sua filha tinha. Delcie começou a se importar com a voz da neta e passou a apoiá-la. “Isso é algo maravilhoso, sabe? É algo que ela ama fazer. Ela será famosa um dia, ninguém canta assim nessa idade”, dizia Delcie à Shelly.

Shelly via as outras meninas da idade de Christina gostarem de princesas ou querendo ser enfermeiras, mas o coração de Christina estava preso na carreira de cantora. Ela sabia o que queria ser desde muito cedo. Sua primeira professora, Penny Householder, lembra-se do primeiro dia de aula. Conta que Christina era miudinha, tinha cabelos loiros compridos, batia nos seus joelhos e cantava musiquinhas.

“A primeira vez que vi Christina cantando foi um espanto. Ela era tão pequena! Perguntei se ela gostava de cantar e ela respondeu: Canto toda noite no meu quarto.” – Lembra-se a professora Penny.

Ainda quando criança, Christina alimentava o sonho de ser cantora. Espalhava toalhas no chão: Era o palco. Arrumava todos os ursinhos e bonecas num canto: Era a plateia. E se apresentava para os brinquedos como se fosse uma superstar. Shelly não ligava, com tanto que sua filha estivesse feliz assim.

Certa vez, a escola decidiu fazer um show de talentos e todos odiavam participar. Foi quando a professora deu apoio e insistiu que Christina participasse e ela topou. Então Shelly e Delcie ajudaram Christina a escolher seu repertório. Ensaiaram algumas vezes e se reuniram no dia de sua apresentação na escola. Sua professora estava na plateia. Fecharam as cortinas e Christina apareceu, cantou e arrasou. O comentário geral foi: “É playback. Nenhuma criança canta assim”, até que todos perceberam que não havia nenhum playback. Todos adoraram e a ovacionaram. Neste momento, Christina realmente soube o que queria fazer para o resto de sua vida.

“Ela foi aplaudida de pé por 3 ou 4 minutos” – Conta seu tio, Jim Fidler.

Foi o começo de uma nova vida. Christina passou a alimentar a ideia de ser cantora e sempre perguntava a mãe: “E agora? O que posso fazer? Encontre outra coisa!”. E Shelly encontrou!

Capítulo 05 – O Star Search

Na época, havia um programa chamado “Star Search” – algo parecido com o American Idol – estavam à procura de uma nova estrela e o ganhador levava pra casa 100 mil dólares. Outras mães insistiram que Shelly enviasse uma fita da filha. Para provar que estavam erradas, Shelly procurou o produtor do programa e enviou a fita. Eles a contataram em menos de uma semana. Então Christina e a mãe foram para Califórnia participar do programa.

Christina, aos oito anos de idade, fez sua primeira aparição na TV nacional dia 15 de Março de 1989, no Star Search, programa de calouros apresentado por Adam McMahon. Ela competiu contra outro cantor chamado Christopher Eason, que tinha 12 anos e e já estava vencendo há algum tempo a competição.

“Minha mãe a ouviu ensaiar e disse: Christina é muito boa. Devemos ir embora amanhã” – Contou Christopher Eason.

O programa avaliava a apresentação dos concorrentes dando-lhes ‘estrelas’ como pontuação. Christopher Eason recebeu 3,75 estrelas e a desafiante Christina… também 3,75. Houve um empate!

“Não fiquei surpreso com o empate. Christina era talentosa. Eu tremia de nervoso: Qual será o resultado final?” – Disse Christopher.

E o vencedor foi anunciado: Christopher Eason. Ela ficou desapontada com a derrota, era sua primeira decepção e em rede nacional. Christina chorava e soluçava, estava arrasada por perder a competição. Sua mãe ensinou a ser bastante esportista e educada, pediu para que cumprimentasse o ganhador. As pessoas perguntaram-na: “Você ganhou?” e ela respondia: “Não, mas deveria“.

Eu estava com o meu pequeno óculos escuros que eu tinha na época, por trás estava me afogando em lágrimas, mas mesmo assim eu fui até ele, estendi a minha mão e falei ‘Parabéns! ’”, diz Christina Aguilera. 

Shelly sempre disse a sua filha: “Deus deu isso a você, mas Ele pode tirar. Não se iluda”.

Christina não saiu perdendo com sua aparição no Star Search, apesar da derrota, ficou com o segundo lugar e ganhou o prêmio de US$ 1.000 dólares. Para todas as pessoas que viam o programa de TV em suas casas na Pensilvânia, aquele foi um ótimo momento. Na escola, a professora e os alunos a receberam com uma grande faixa dizendo “Parabéns” com várias bexigas. Mas a celebração durou pouco tempo.

Christina continuou a voltar no Star Search, começou a ganhar crédito e fama. Foi quando as mesmas pessoas que outrora a parabenizaram, ficaram frias e com inveja.

…a história continua…
Previsão da Parte 02: 14/07/2018

Escrita por Mário Henrique de Oliveira.

Bibliografias e referências:

  • Christina Aguilera: A Star is Made – The Unauthorized Biography. (Pier Dominguez)
  • Christina Aguilera: A Biography (Mary Anne Donovan)
  • E! Especial – Biography – Christina Aguilera
  • All Eyes on Christina Aguilera – MTV